Carta Manifesto

Enquanto houver sol

Ela chega como quem não quer nada, sem autorização nem aviso prévio. Não escolhe idade, raça, gênero, orientação sexual, crença religiosa, profissão nem classe social. Em alguns casos, é possível detectar o gatilho que justifica a sua presença. Em outros, não há um motivo aparente. Ela simplesmente aparece disfarçada de tristeza, de melancolia, de ansiedade e de angústia até ganhar forma e transformar por completo a rotina e os sonhos de alguém. O convívio com ela leva embora a vontade de tudo: de acordar, de comer, de sair, de se relacionar, de trabalhar e algumas vezes até de viver.

O nome dela todo mundo conhece: depressão, um dos principais fatores de risco para o suicIsso mesmo. o mundo sas de suiconceito, busca uma fala com mais liberdade, sem tabus sobre este transtorno ídio em todo o mundo. Mas ninguém quer falar sobre ela. É difícil assumir o diagnóstico para si, o que dirá para os outros. É assunto proibido, pouco convidativo. Ainda hoje é tabu, cercado de preconceitos.

Mas, o que muita gente não sabe, é que se trata de uma doença como qualquer outra. E, como tal, precisa de atenção, cuidado, informação e tratamento. Não é só tristeza profunda, não é sinônimo de fraqueza, não é invenção, não é um sintoma pontual ou “doença de rico”, como muitas vezes é chamada e banalizada. A depressão traz dentro dela um componente biológico e é provocada por um desequilíbrio neuroquímico no cérebro, que desencadeia sentimentos negativos, além de vários outros sintomas. É algo físico, é real!

Deve-se acender uma luz amarela diante desse transtorno que ainda pode estar associado a outras doenças como a ansiedade, e abuso de álcool especialmente em tempos de pandemia e de isolamento social. Por um lado, uma luz amarela de alerta, que chama atenção para o risco de suicídio e seus principais fatores precipitantes. Entretanto, de outro lado, há uma luz amarela mais forte que aponta sempre Na Direção Da Vida.

Afinal, nossa caminhada é feita de dias diferentes, por vezes sombrios e, quando alguém entra nesse labirinto chamado depressão, pode ficar difícil perceber que existem outras saídas além do suicídio. Mas elas existem. Se abrir as possibilidades veremos que o percurso não é feito só de espinhos. Pode ser cheio de flores também, com vitórias a cada etapa do tratamento, com o controle dos sintomas e a retomada gradual da rotina, com a melhora significativa da doença ou até mesmo o controle do quadro clínico. Daí a importância de um diálogo franco sobre a doença, da informação de qualidade, da conscientização, do apoio emocional, do diagnóstico correto, dos acompanhamentos médico e psicológico, do tratamento, do acolhimento e do respeito. Uma grande oportunidade Na Direção Da Vida.

Que neste Setembro Amarelo, o mês mundial de prevenção do suicídio, as conversas sobre saúde mental ganhem mais protagonismo do que nunca e que sirvam de inspiração para lembrar a todos nós que enquanto houver sol, há de haver saída. Assim como nos ensina a sábia natureza. Basta observarmos os girassóis, flores fortes e ambivalentes, que buscam insistentemente a luz para crescer e florescer, ainda que se fechem em si mesmas na escuridão, para se preservarem.

Fica aqui o convite para que possamos florescer e caminhar sempre Na Direção Da Vida.

Referência:
Bertolotte JM, et al. World Psychiatry. 2002:1(3);181-185 2. Turecki & Brent, Lancet. 2016. 19; 387(10024): 1227–1239 3. Otte C et al. Nature Reviews Disease Primers. 2016 (2) 1-20

Referências:

Campanha Na Direção da Vida

A campanha Na Direção da Vida é uma iniciativa que faz parte do movimento mundial Setembro Amarelo para dar mais visibilidade às doenças mentais e prevenir o suicídio. O objetivo dela é abrir o diálogo sobre o tema e estimular um ambiente de acolhimento para pessoas que, muitas vezes, não procuram apoio, principalmente o de profissionais da saúde.

Conduzida pela Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA), pela área de Medicina Interna da Pfizer, e pela Upjohn (divisão da Pfizer focada em doenças crônicas não-transmissíveis), a edição 2020 da campanha terá diversas ações on-line por conta da pandemia de covid-19, com o intuito de proteger todos seus participantes. 

Além de chamar a atenção para a principal causa de suicídio no mundo, a depressão, esta edição da campanha Na Direção da Vida chama atenção para outro transtorno que é fator de risco para o suicídio: a ansiedade. Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) com cerca de 400 médicos psiquiatras de 23 estados e do Distrito Federal apontou um aumento de 47,9% nos atendimentos após o início da pandemia1.

O levantamento mostrou também que 67,8% dos médicos receberam pacientes novos, que nunca haviam antes apresentado sintomas psiquiátricos, após o início da pandemia e do isolamento social. Outros 69,3% relataram ter atendido pacientes que já haviam recebido alta médica, mas que tiveram recidiva de seus sintomas. Tais números reforçam a importância de se procurar ajuda, sobretudo em um momento tão delicado. 

No entanto, apesar do aumento na procura por atendimentos psiquiátricos durante a pandemia, pesquisa realizada pelo IBOPE Conecta com 2 mil brasileiros, a partir dos 13 anos de idade, em diferentes regiões metropolitanas do País (Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo) mostra que o tratamento da depressão ainda é um tabu, sobretudo entre os mais novos de idade e a população masculina. Tal pensamento acaba afastando muitos pacientes do tratamento.

Mais de um a cada quatro entrevistados do grupo de 18 a 24 anos (26%) considera, por exemplo, que a depressão é uma “doença da alma”. Por outro lado, a porcentagem de pessoas que compartilham dessa percepção cai para 15% entre aqueles com 55 anos ou mais de idade. 

Apesar de entenderem que a depressão tem tratamento (71%), a faixa etária dos 18 aos 24 anos é a que expressa a menor confiança. Quase um terço desses jovens (29%) não está totalmente convencido de que a depressão é uma doença como qualquer outra, que pode ser tratada com sucesso. Já entre os entrevistados mais velhos, com 55 anos ou mais, esse porcentual cai para 18%.

Se entre os jovens ouvidos pela pesquisa, a vergonha diante da depressão se destaca, os homens formam um outro público que também merece atenção: quando perguntados sobre a relação da depressão com a falta de fé, por exemplo, 30% dos homens ou indicam que essa associação é verdadeira ou afirmam que não sabem avaliar sua veracidade. Entre as mulheres, por outro lado, esse porcentual cai para 17%.

Assim como as mulheres, os homens também acreditam que é possível superar a depressão. Mas o suporte médico é menos valorizado por eles: quando perguntados sobre as formas mais importantes de vencer a doença, o acompanhamento médico aparece em terceiro lugar, ao passo que essa estratégia surge na segunda posição para o público feminino.

Diante deste cenário, a campanha Na Direção da Vida quer mostrar que há, sim, saídas. Por mais nebulosa que a vida possa parecer, há diversos caminhos para controlar os sintomas da ansiedade e da depressão. No caso do suicídio, a literatura aponta que pelo menos dois terços das pessoas que tentam tirar a própria vida ou consumam o ato tinham comunicado, de alguma maneira, sua intenção para amigos, familiares ou conhecidos2. Por isso, não sofra sozinho. Tenha sempre uma rede de apoio –familiares, amigos, colegas de trabalho, entre outros – e busque ajuda profissional. Enquanto houver sol, sempre haverá uma saída.

Referências:
1 .Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Disponível em https://www.abp.org.br/post/atendimentos-psiquiatricos-no-brasil-sofrem-impacto-da-pandemia-de-covid-19> Acesso 07 de agosto de 2020
2. WERLANG, B.G.; BOTEGA, N. J. Comportamento suicida. Porto Alegre: Artmed Editora, 2004

Videomanifesto

Videocase - Campanha 2019

Programação 2020

AGOSTO
Filtro temático Instagram

Aqui você pode baixar nosso fundo de tela e nosso filtro temático para reforçar a importância do diálogo a respeito da saúde mental. Utilize em suas redes sociais e compartilhe com os amigos. Vamos criar um canal aberto para conversar sobre as doenças mentais.
- Clique e faça o download do Fundo de Tela.
- Clique e faça o download do Filtro Temático.
 

Setembro
Desafio Primavera Digital

Conversar sobre a depressão e a ansiedade é fundamental para que as doenças mentais deixem de ser estigmatizadas. Pensando nisso, selecionamos um time de influenciadores e pacientes para um desafio pela vida, dando seu depoimento sobre a experiência de ter ou conviver com uma pessoa nessas condições. Em comum, todos carregarão um girassol, o símbolo da nossa campanha. O resultado desse trabalho em conjunto será um lindo vídeo com a participação de todos que contribuíram com o desafio.

SETEMBRO
Top Voices LinkedIn

Um time plural, composto pelas vozes mais influentes do mundo corporativo, emprestará um espaço em seus perfis no LinkedIn para dialogar com seu público sobre as consequências da pandemia na saúde mental e como ela interfere no ambiente de trabalho. Acompanhe!

SETEMBRO
Videoclipe Grande Hino

Formadores de opinião, pacientes e personagens que tiveram a saúde mental impactada de alguma forma se unirão em uma só voz pelo Setembro Amarelo, cantando a música “Enquanto Houver Sol”, dos Titãs. Afinal de contas, ainda há de haver uma saída e nenhuma ideia vale uma vida! 

SETEMBRO
Intervenção Urbana

Neste Setembro Amarelo, levaremos luz a um tema de extrema importância: a saúde mental. Em 10 de Setembro, Dia Mundial do Combate ao Suicídio, transformaremos um local da Zona Oeste de São Paulo em um lindo campo de girassóis, o símbolo da nossa campanha. Você pode acompanhar o evento on-line, nas redes sociais da Pfizer, ou pelas hashtags #depressãosemtabu e #ansiedadesemtabu. Não perca!

Dicas de Saúde Mental

Revisão: Michel Haddad, médico psiquiatra

DICA 1
O que fazer quando bater a ansiedade

• Respire fundo e lentamente, tente reduzir sua frequência respiratória;
• Tente relaxar sua musculatura, alongamentos podem ajudar;
• Beba água ou um chá quente; 
• Coloque uma música calma e que você goste; 
• Tente desviar o foco do pensamento para alguma lembrança positiva;
• Lembre-se que as crises de ansiedade não são duradouras e devem passar em alguns minutos.

Dica 2
Alimentação para ajudar na saúde mental

Pesquisas indicam que uma alimentação adequada pode ajudar a gerenciar a ansiedade de forma natural. O site especializado Medical News Today divulgou nove alimentos que podem melhorar os sintomas da ansiedade: castanha-do-Pará, sementes de abóbora, peixes ricos em gorduras, ovos, camomila, chá verde, chocolate, iogurte e cúrcuma. Além disso, a deficiência de vitamina D tem sido associada a transtornos de humor e um relatório publicado no Journal of Affective Disorders indica que ela pode beneficiar pessoas com depressão.

DICA 3
Exercício físico e saúde mental

Uma rotina de atividade física tem um impacto profundo em nossa qualidade de vida. A prática de exercícios também traz muito benefício à saúde mental, promovendo melhoria do bem-estar. E se for executada em grupo, pode ampliar ainda mais esse benefício, pois estará estimulando o bem-estar social. Lembrando que qualquer tipo de exercício pode ajudar no combate a ansiedade: caminhar, correr, dançar e pedalar promovem não só o bem-estar físico, mas também mental.

DICA 4
Sono e saúde mental

Algumas dicas de como ter uma boa noite de sono:
• Evite consumir nicotina, cafeína e bebidas alcoólicas 6h antes de dormir;
• Diminua a quantidade de alimentos e/ou líquidos antes de dormir;
• Reduza os descansos diurnos;
• Deixe o ambiente com uma temperatura agradável;
• A luminosidade e ruídos influenciam e devem ter seus níveis reduzidos;
• Evite a prática de exercícios antes de dormir;
• Retire o relógio e o celular para diminuir a ansiedade.

DICA 5
Fale abertamente com familiares e amigos

Quem sente depressão ou ansiedade pode se recuperar e é importante procurar ajuda. Acompanhamento psiquiátrico, psicanálise, psicoterapia, estratégias de autoajuda e medicamentos podem ajudar. As pessoas muitas vezes tentam encobrir o fato de que estão sentindo ansiedade, angústia, medo, depressão ou desespero. Em vez de ser um sinal de fraqueza, é preciso muita força para falar sobre seus problemas de saúde mental. Falar sobre como está se sentindo com alguém em quem você confia, seja um amigo ou membro da família, clínico geral, organização de caridade ou serviço de apoio, pode ser o primeiro passo para a recuperação.

DICA 6
Coisas que não são terapia e podem ajudar

Se os sintomas forem muito intensos, duradouros e estiverem atrapalhando sua rotina, o melhor é buscar ajuda com profissional da saúde. Porém, algumas atividades não-terapêuticas também podem auxiliar:
• Yoga e meditação;
• Deixar o celular de lado por um tempo;
• Aprender algo novo;
• Atividades como: pintar, desenhar ou cuidar de uma plantinha;
• Prática regular de atividade física;
• Leitura;
• Tomar um banho relaxante.

DICA 7
Dicas para melhorar sua autoestima

Você é não é infalível! Sua saúde física, espiritual e emocional estão todas conectadas e cuidar de todos esses aspectos aumentará a probabilidade de você ficar bem. Alguns de nós fazem as pessoas rir, alguns são bons em matemática, outros cozinham refeições fantásticas. Somos todos diferentes. É muito mais saudável aceitar que você é único do que desejar ser mais parecido com outra pessoa. Sentir-se bem consigo mesmo aumenta sua confiança para aprender novas habilidades, visitar novos lugares e fazer novos amigos. Por isso:
• Aceite quem você é;
• Viva de forma saudável, coma alimentos saudáveis, durma o suficiente, faça exercícios regularmente e evite drogas e álcool;
• Controle o estresse e faça check-ups médicos regulares;
• Veja amigos para construir seu senso de pertencimento;
• Tente fazer algo de que goste todos os dias;
• Encontre maneiras de relaxar.

DICA 8
Seja gentil com você

Quem é a pessoa mais importante da sua vida? Você deve ser o protagonista da sua vida! Então:
• Seja você;
• Tenha orgulho de si;
• Não se compare;
• Descanse;
• Se perdoe;
• Aceite suas emoções;
• Faça mais coisas que ama;
• Fale sobre seus sentimentos;
• Mantenha-se ativo;
• Alimente-se bem;
• Esteja em contato com amigos e familiares;
• Aceite quem você é e exercite suas qualidades;
• Ajude a cuidar dos outros.

DICA 9
O que fazer se conheço alguém passando por um momento difícil ou com ideias suicidas

A família e/ou amigos podem oferecer ajuda prática ou ouvi-lo. O assunto precisa ser tratado com seriedade e respeito, afinal saúde mental é coisa séria. Ofereça escuta sempre que possível e coloque-se à disposição para acompanhar até o serviço de saúde, encorajando a buscar ajuda. Não deixe que sentimentos de solidão e desesperança tomem conta da situação.

Guia OMS
Guia da OMS sobre cuidados para saúde mental durante a pandemia

Em tempos de pandemia e isolamento social, a saúde mental pede mais atenção. Afinal, a solidão é reconhecida pela psiquiatria como um gatilho importante para transtornos de humor em pessoas predispostas¹. Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que mais de 90% dos casos de suicídio estão ligados a distúrbios mentais2 e os transtornos de humor, entre os quais a depressão se destaca. Em um momento de tantas incertezas, os sentimentos de medo e angústia relacionados ao novo coronavírus também podem ser sentidos com mais intensidade. Pensando nisso, a agência preparou um guia dirigido para a população em geral, profissionais de saúde, crianças e idosos, além de pessoas em quarentena3.

Referências: 

Ajuda
Onde buscar ajuda